A primeira edição do Festival Serigy All Stars foi aberta na última sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, com a Roda de Conversa “Furando a Bolha – Estratégias de difusão da música contemporânea sergipana”, realizada na Freedom Discos, em Aracaju. O encontro reuniu produtores, artistas e público para debater caminhos para a circulação da música autoral, o intercâmbio de experiências entre diferentes cenas do país e os desafios enfrentados pelos festivais independentes.
Participaram da roda Luciano Matos (Radioca – BA), Gabriel Caixeta (Festival Timbre – MG), Paulo André (Abril pro Rock – PE), Binho (Rock Sertão – SE) e Alex Sant’Anna (Serigy All Stars – SE), com mediação do DJ Rafa Aragão. A programação do festival teve continuidade no sábado, 17 de janeiro, com shows de Táia, Luno, Anne Carol, A Banda dos Corações Partidos e Alex Sant’Anna, no The Stones Pub.
‘Estilingue’ para lançar música de Sergipe
Idealizador do Festival Serigy All Stars, o músico Alex Sant’Anna destacou a diversidade e a constante renovação da cena musical sergipana, além da proposta de continuidade do evento. “É uma cena que vem se transformando e sempre se renovando com artistas novos. A gente acompanha isso de perto por meio da playlist Serigy All Stars, que toda semana recebe novos lançamentos”, afirmou.
Segundo ele, o festival nasce com a intenção de fortalecer a cena local e ampliar sua circulação. “Um dos símbolos do festival é um estilingue, pela ideia de levar a nossa música para fora, dando uma estilingada mesmo”, explicou, ao ressaltar a importância de trazer produtores de festivais para assistir aos shows e gerar novas conexões.
Contato pessoal ainda é importante
Para Gabriel Caixeta, idealizador do Festival Timbre, de Uberlândia (MG), o intercâmbio promovido por eventos como o Serigy All Stars é essencial para que a música autoral circule pelo país. “Eu conheci a música de Sergipe através de uma conferência de música, a Porto Musical. A partir do momento que a gente está vendo, acompanhando e sentindo o artista, a gente consegue pensar possibilidades de circulação”, afirmou, ressaltando a importância de os artistas estarem presentes em festivais, feiras e conferências de música. “O artista também deve ficar atento aos festivais, ver quando acontecem e procurar mandar material. Os festivais sempre tem um canal onde recebem material”.
O jornalista e produtor Luciano Matos, do Radioca (BA), avaliou o festival como um importante espaço de visibilidade para a cena criativa sergipana. “Acompanho a cena daqui há muito tempo. É uma cena muito fértil e diversa, com muito potencial. Já vim em Sergipe algumas vezes e sempre tento ver shows. Na última vez, vi a artista Anne Carol e acabei levando para o Radioca. Essa cena criativa precisa ser vista e o Festival cumpre sua função, sendo também um caminho para isso”, destacou. Segundo ele, além da visibilidade, a troca de experiências é um dos principais legados do encontro. “A gente vive um tempo com muita informação e pouca escuta, e esses espaços de debate e troca são fundamentais”, completou.
Com mais de 30 anos de atuação, o criador do Festival Abril pro Rock (PE), Paulo André, ressaltou o caráter formativo da Roda de Conversa e a importância do contato direto entre artistas e produtores. “Quando comecei a produzir, no início dos anos 90, não existiam espaços de palestras, bate-papos e roda de conversas com produtores experientes. A gente aprendia fazendo”, afirmou. Ele também elogiou a diversidade musical apresentada pelo festival e a continuidade da cena sergipana, que acompanha há décadas. “Eu fiz um projeto chamado ‘Music from Pernambuco’ e fui convidado pela Fundação Aperipê para contribuir com a elaboração da coletânea ‘Music from Sergipe’, em meados de 2009, e a levei para conferências do mundo todo. Eu adoro a cena de Sergipe e fico muito feliz de conhecer novos artistas”.
Estratégias para ‘furar a bolha’
Representando o interior de Sergipe, Binho é um dos idealizadores do Festival Rock Sertão, em Nossa Senhora da Glória-SE, e que se prepara para a edição de 25 anos. Ele destacou a importância de fortalecer redes entre festivais para ampliar os espaços de circulação da música autoral. “Conhecer a realidade de outros festivais e como eles se articulam é fundamental para que as bandas possam circular. Ainda temos poucos espaços e é muito interessante ver o Serigy All Stars lotado”, afirmou, ressaltando o acerto da produção ao trazer outros produtores de outros festivais para ver shows de artistas sergipanos, na tentativa de levá-los para outros espaços.
Segundo Diane Veloso, também produtora do Festival Serigy All Stars e cantora da Banda dos Corações Partidos, a estratégia de convidar agentes de outros estados faz parte de um movimento para ampliar a visibilidade da produção local. “Não dá mais para Sergipe ser ignorado por um Brasil imenso e diverso. A gente sabe que ‘furar a bolha’ é muito difícil, porque não existe investimento em política pública. Falta o olhar do poder público”, afirmou. Segundo ela, apesar das dificuldades de circulação, iniciativas como o Serigy All Stars apontam caminhos para fortalecer a música autoral sergipana.
Com produção de Alex Sant’Anna, Nah Donato e Diane Veloso, o Festival é um desdobramento de 14 anos de atividades do coletivo ‘Serigy All Stars’, com nome inspirado no legado do Cacique Serigy, símbolo da resistência indígena em Sergipe.
“Mais do que uma programação de shows, o festival se propõe a ser uma plataforma de visibilidade, intercâmbio cultural e projeção da música de Sergipe dentro e fora do estado”, destaca o músico, compositor, produtor e criador do projeto, Alex Sant’Anna.
Criado em 2012 a partir da coletânea “Serigy All-Stars – Music From Sergipe”, idealizada por Alex Sant’Anna, o projeto se consolidou como coletivo cultural e realizador de shows, com destaque para o evento ‘Terças Autorais’, projeto realizado em temporadas desde 2022, em parceria com a casa de shows The Stones Pub, em Aracaju, com intuito de promover palco para artistas sergipanos.
O Festival Serigy All Stars (SE) foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Sergipe e tem apoio do Governo do Estado de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura – Governo Federal.
Por: Assessoria de Imprensa:
Alanna Molina
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Jornalista – DRT 2112












