Em pleno Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre a saúde mental e à prevenção do suicídio, gostaria de sugerir uma pauta que destaca a necessidade de pensamos formas criativas, responsáveis e corajosas de habitar este mundo líquido, ansiogênico, sobretudo marcado pelo desamparo brutal do sujeito contemporâneo.
De fato, vivemos na época mais ansiogênica dos últimos séculos. Conforme demonstra o psiquiatra e psicanalista Joel Birman (UFRJ) em sua obra O sujeito na contemporaneidade, o esgarçamento das formações simbólicas que sustentavam a estrutura do laço social — tais como o Estado-Nação, a religião, a ciência e a família em seus formatos tradicionais — tem levado as pessoas a experimentarem o desamparo de formas jamais vistas.
Essa perspectiva encontra apoio na teorização de Zygmunt Bauman em O mal-estar da pós-modernidade, ao destacar que a segurança de que as pessoas gozavam, como contrapartida para a vida em sociedade, foi sacrificada em prol da liberdade. Há, é verdade, liberdades jamais vistas, mas ao preço de uma insegurança brutal em uma sociedade classificada pelo sociólogo como líquida. Não por acaso, a depressão é, desde 2018, a principal causa de incapacitação no mundo, consolidando-se como um grave problema de saúde pública internacional.
É exatamente nesse cenário que se movem os personagens de Civilização Selvagem ou tigelas de barro espatifadas no chão, novo livro de contos do professor universitário, escritor e psicanalista Francisco Neto Pereira Pinto. A obra tematiza vivências cotidianas que poderiam ser as de qualquer um de nós, abordando temas como:
A relação com a inteligência artificial no trabalho e nos afetos;
A exaustão materna e os desafios da maternidade;
As formas contemporâneas de paternidade;
A relação entre parentalidade e os cuidados com filhos com transtornos;
A pressão por performance e seus impactos na saúde mental.
O livro nos convida a pensar que, neste Setembro Amarelo, além de discutir diretamente a prevenção do suicídio, é fundamental imaginarmos formas de viver próprias destes novos tempos — de maneira criativa, consciente e responsável, para além do medo e da resignação. A literatura surge, assim, como uma forma privilegiada de escuta e elaboração para essa jornada que é de todos nós.
O autor, Francisco Neto Pereira Pinto — que é Doutor em Ensino de Língua e Literatura, Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado, da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) além de psicanalista e membro da Academia de Letras de Araguaína (Acalanto) —, está disponível para entrevistas e participações em programas/matérias sobre o tema.
Segue anexo o release completo da obra para apreciação, bem como fotos e capa do livro no drive: Acesse aqui
Por: Dr. Francisco Neto Pereira Pinto
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